domingo, 26 de agosto de 2012
II
Se queres que eu cante o amor
De forma não dolente
Saibas que este não é dor
É parecido com semente
Que se cultiva em terra fértil
No terreno do coração fecundo
Nunca há de ser hostil
E há de querer amar o mundo
Que sentimento é este tão intenso
Que invade a alma triste
Faz das coisas pequenas imenso
Palco de tudo que existe
Força que movimenta a vida
Sopro que alimenta a alma
Velha esperança esquecida
Intima sensação de calma
Vento que açoita a rocha nua
Que embeleza as águas do mar
Potente essa força tua
De nos fazer querer amar.
Amor palavra que não cabe o sentimento...
sábado, 25 de agosto de 2012
I
Plantas sobre mim suas mãos
Mas não te esqueças
De abraçar-me com um beijo
Desses imensos e solitários
Como somente o são
Os beijos dos amantes
E buscas esquecer-me agora
Mas volva a lembrar-se sempre
Dessas mãos que te tocaram a alma
Como pegadas que deixam marcas
Levando sempre a um destino próximo
Sulcando a terra com peso próprio
Carregando o corpo cansado e farto
Que busca na sombra o ócio
Enrodilha à força o braço
Fechando-se teso em arco
Comprimindo sulco lábios
Roubando à fonte manso regaço
Fazendo do corpo barco
De tão triste alfarrábio...
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