José Carlos Imigrante
Pedreiro
Ambulante
Faxineiro
Está desempregado
Mulher e sete filhos
Bocas aberta
Fome
Esperam sua chegada
Está sem nome
Sem morada
Observa frustrado
O palácio que construiu
Nunca usou
Nunca recebeu
Sua vida ruiu
enlouqueceu...
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
XVIII
Ana Maria comprou um
vestido novo
Estava triste ultimamente
(disse uma amiga)
Não era celebridade
nunca seria
Nem tivera seus quinze
Minutos de fama
Estava na lama
Pra baixo
Na mal
Down
Comprou um vestido novo
e se matou na perimetral...
vestido novo
Estava triste ultimamente
(disse uma amiga)
Não era celebridade
nunca seria
Nem tivera seus quinze
Minutos de fama
Estava na lama
Pra baixo
Na mal
Down
Comprou um vestido novo
e se matou na perimetral...
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
XVII
As facas que me cortam
Pontas penetram carne
Transcende idéias
No espelho sua imagem
Variáveis várias
Varrem ruas escuras
Labirintos do Eu
Tudo e todos é tudo
Ao sabor do marceneiro
Pontas penetram carne
Transcende idéias
No espelho sua imagem
Variáveis várias
Varrem ruas escuras
Labirintos do Eu
Tudo e todos é tudo
Ao sabor do marceneiro
Que lâminas transcendem
Minha carne sangra
Seu ódio hostil
Aqui fora tudo esperança
Dentro seco eterno frio
Se esconde caverna
Dentro tudo é dor
Fora fria brisa
Tempera de navalha
Amor, poeta e batalha
Minha carne sangra
Seu ódio hostil
Aqui fora tudo esperança
Dentro seco eterno frio
Se esconde caverna
Dentro tudo é dor
Fora fria brisa
Tempera de navalha
Amor, poeta e batalha
Grita homem palavra
Vento mensageiro vai levar
Profunda pedra interior
Sísifo não quer mais carregar
Nem entrega-se ele ao fardo
Nasceu para o bardo
Poesia é sua fala
Morto dentro não está
Grito que rompe cadeias
Rebenta grilhões
Permite voar
Vento mensageiro vai levar
Profunda pedra interior
Sísifo não quer mais carregar
Nem entrega-se ele ao fardo
Nasceu para o bardo
Poesia é sua fala
Morto dentro não está
Grito que rompe cadeias
Rebenta grilhões
Permite voar
XVI
Eu que nunca quis
mais que eu mesmo
Me surpreendo agora
Querendo o menos de mim
E cada coisa não se parece
Coisas que vão
Enquanto mantenho as mãos
Vazias...
mais que eu mesmo
Me surpreendo agora
Querendo o menos de mim
E cada coisa não se parece
Coisas que vão
Enquanto mantenho as mãos
Vazias...
XV
Morreu o bandido
O traficante
A vítima
O medo
Morreu o meliante
Oprimido
Opressor
Morreu...
Não morri com ele
Nem minha humanidade
Diminuiu
Me senti mais leve
mais livre
Seguro desumano espanto...
O traficante
A vítima
O medo
Morreu o meliante
Oprimido
Opressor
Morreu...
Não morri com ele
Nem minha humanidade
Diminuiu
Me senti mais leve
mais livre
Seguro desumano espanto...
XIV
Este é o século da forma
Que importa o fundo?
Está lá no âmago
No íntimo
Lodo
Onde o bagre vem comer
Que lhe importa a forma?
Se é do fundo
Que se come
A forma é o fundo do mundo...
Que importa o fundo?
Está lá no âmago
No íntimo
Lodo
Onde o bagre vem comer
Que lhe importa a forma?
Se é do fundo
Que se come
A forma é o fundo do mundo...
XIII
Um pedaço de mim
Quer ser livre
De um pedaço de mim
Escravo
Vendido
Pesado
A quilo
Atacado
Varejo
A granel
Embrulhado em jornal
Nessa feira diária
Enlatado
Envasado
Vazio pedaço de Eu....
Quer ser livre
De um pedaço de mim
Escravo
Vendido
Pesado
A quilo
Atacado
Varejo
A granel
Embrulhado em jornal
Nessa feira diária
Enlatado
Envasado
Vazio pedaço de Eu....
XII
A palavra corta a carne
Boca aberta saliva
Navalha cirúrgica
Corta carne palavra
Esse rio
Irrompe
do Ser
Palavra
Porta
Da alma
Eterna
F
L
U
Í
D
E
Z
Boca aberta saliva
Navalha cirúrgica
Corta carne palavra
Esse rio
Irrompe
do Ser
Palavra
Porta
Da alma
Eterna
F
L
U
Í
D
E
Z
XI
Que luta corporal
É essa que se processa
Dentro de mim?
Essa lutra suja
Contra eu mesmo
No
Ringue
Escuro
Da mente
Por que acaso achei eu
Que do fundo
Algo iria brotar
Para
Suplantar
A forma?
Ser: objeto de si...
Sujeito objeto do Ser
A vida e sua suposta existência
Fluem como areia
Entre os dedos do tempo
Na ampulheta do ser
Que é seu próprio movimento
Tempo e movimento
São pretensões subjetivas
Necessidades arbitrárias
Formas de se julgar
O que não se apresenta
Existir é representação
Fundo na forma
Ponte entre Nômeno e o Fenômeno...
É essa que se processa
Dentro de mim?
Essa lutra suja
Contra eu mesmo
No
Ringue
Escuro
Da mente
Por que acaso achei eu
Que do fundo
Algo iria brotar
Para
Suplantar
A forma?
Ser: objeto de si...
Sujeito objeto do Ser
A vida e sua suposta existência
Fluem como areia
Entre os dedos do tempo
Na ampulheta do ser
Que é seu próprio movimento
Tempo e movimento
São pretensões subjetivas
Necessidades arbitrárias
Formas de se julgar
O que não se apresenta
Existir é representação
Fundo na forma
Ponte entre Nômeno e o Fenômeno...
X
Falam em mim
Polifônicas vozes
No discurso um só som
Solidão...
Poeira tomando assento
No móvel do Ser
Sendo imóvel poeira
Deste eterno devir
Pinga de mim eternos cristais
Gotas de sal
Que é sentir o gosto
Deste eterno sempre existir...
Polifônicas vozes
No discurso um só som
Solidão...
Poeira tomando assento
No móvel do Ser
Sendo imóvel poeira
Deste eterno devir
Pinga de mim eternos cristais
Gotas de sal
Que é sentir o gosto
Deste eterno sempre existir...
IX
É possível sonhar
Um sonho sonhado
Por outro sonhador
No sono finito
Dentro da noite fugaz?
É possivel sonhar
Que sonho um sonho
Já sonhado?
Quem sonha o sonho
Dor sonhador
Dentro do sono da noite?
A memória apaga a lembrança....
Um sonho sonhado
Por outro sonhador
No sono finito
Dentro da noite fugaz?
É possivel sonhar
Que sonho um sonho
Já sonhado?
Quem sonha o sonho
Dor sonhador
Dentro do sono da noite?
A memória apaga a lembrança....
VIII
A vida não pára
Nos sinaleiros
Contínua
Passageira
Desce uma rua
Emborca
Uma esquina
Segue
Verte e reverte
Em plena cidade
Escura
A vida não pára
Nos sinaleiros...
Nos sinaleiros
Contínua
Passageira
Desce uma rua
Emborca
Uma esquina
Segue
Verte e reverte
Em plena cidade
Escura
A vida não pára
Nos sinaleiros...
VII
A juventude urge, urde
Gira em caleidoscópio
Sonhos próprios
Longe dos sons dos nãos
A juventude rude
Udi grudi bola de sabão
Bola de gude
Não...
Vivos tablets lançam
Dançam mensagens no ar
Celular seu lugar
Câmera de captar
Visão...
Gira em caleidoscópio
Sonhos próprios
Longe dos sons dos nãos
A juventude rude
Udi grudi bola de sabão
Bola de gude
Não...
Vivos tablets lançam
Dançam mensagens no ar
Celular seu lugar
Câmera de captar
Visão...
VI
A outra banda da terra
Outra banda de mim
Pedaço de carne carmesim
Primeira memória guerra
Segunda pele breve
Cerrar olhos possíveis
Primeiros momentos sensíveis
Roçar língua leve
Segundo segundo depois
Boca lambe fruto
Intensos carinhos dois
Estreito lábio bruto
Eterno momento inconstruto...
Outra banda de mim
Pedaço de carne carmesim
Primeira memória guerra
Segunda pele breve
Cerrar olhos possíveis
Primeiros momentos sensíveis
Roçar língua leve
Segundo segundo depois
Boca lambe fruto
Intensos carinhos dois
Estreito lábio bruto
Eterno momento inconstruto...
V
Conhecimento
Sujeito cognoscente
Objeto cognoscível
Danças circulares
Antigas para
Ficar tonto e ver
Deus.
Felizes casais
E seus eternos
Haikais.
Veados apaixonados
Em beijos colados
Conhecimento
Sujeito cognoscente
Objeto cognoscível
Sujeito cognoscente
Objeto cognoscível
Danças circulares
Antigas para
Ficar tonto e ver
Deus.
Felizes casais
E seus eternos
Haikais.
Veados apaixonados
Em beijos colados
Conhecimento
Sujeito cognoscente
Objeto cognoscível
IV
Domec em copo
De vidro
Sobre mesa de mármore
Jair disse:
Coloca aí! No bar da Nena
No bar da Nena
Domec em copo
De mármore
Sobre mesa de vidro
Sóbria solidão
De solidez de mesa
Sob copo de vidro
E domec...
De vidro
Sobre mesa de mármore
Jair disse:
Coloca aí! No bar da Nena
No bar da Nena
Domec em copo
De mármore
Sobre mesa de vidro
Sóbria solidão
De solidez de mesa
Sob copo de vidro
E domec...
III
O agora confuso mundo
Teima em despertar diariamente
Em luz intensa enebriante
A vida breve urgente
Faz amanhecer cada vão figurante
Rubra alvorada recolhe a colcha
De penumbra se cobria a madrugada
Afugentando sombras frias
Que velavam as pedras nuas
De concreto cinza armado
Sonolentas almas descem às ruas
Em meio a denso nevoado
Carregadas de intensa utopia
De ilusões e desejos ansiados
Arrastam o corpo com a agonia
De pobres homens condenados
À grossos grilhões atados
Vão caminhando a estrada escura
Sem saber do próximo passo
Condenados à sepultura
Descanso do corpo lasso
Pobre figura de barro esculpida
Força gasta na lida
De tão triste aventura
A vida continua bela e dura...
Assinar:
Postagens (Atom)