Plantas sobre mim suas mãos
Mas não te esqueças
De abraçar-me com um beijo
Desses imensos e solitários
Como somente o são
Os beijos dos amantes
E buscas esquecer-me agora
Mas volva a lembrar-se sempre
Dessas mãos que te tocaram a alma
Como pegadas que deixam marcas
Levando sempre a um destino próximo
Sulcando a terra com peso próprio
Carregando o corpo cansado e farto
Que busca na sombra o ócio
Enrodilha à força o braço
Fechando-se teso em arco
Comprimindo sulco lábios
Roubando à fonte manso regaço
Fazendo do corpo barco
De tão triste alfarrábio...
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